quinta-feira, novembro 30, 2017

Os Crimes de João Brandão (das Beiras ao Degredo)

“Quando abracei esta vida reprovada por todo o ser cristão e que nos coloca na posição mais ínfima, mais vil, mais repugnante da sociedade, foi porque a miséria me impeliu juntamente com a falta de caridade que encontrei no meu semelhante; o meu coração, contudo, não é desses ferozes que se vangloriam ao verem tudo nadando em sangue. Tenho aversão a isso e só na última necessidade, quando não nos possamos salvar sem lançar mão desse terrível recurso, é que aconselho a que se derrame. Além disso desejo que socorramos aqueles que ainda necessitam mais que nós. Tiraremos aos ricos, mas repartiremos também com os pobres. Com uma mão praticamos o crime, pois bem, com a outra pratiquemos a caridade: verdadeira religião cristã. Usarei de uns bilhetes com o meu nome e toda a pessoa que o apresentar a vocês deverá ser respeitada como se fora eu. Serei justo e imparcial para com os meus colegas. Eis aqui as minhas ideias e sentimentos, que desejo que sigam à risca.”

José do Telhado (in Souza, Rafhael (1874). A vida de José do Telhado, p. 26), apresentando as suas condições para aceitar o cargo de mestre, proposto pelos seus companheiros, aos quais pediu que jurassem em como se comprometiam a dar a vida uns pelos outros.

P.V.P.: 11,00 €
Comprar

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Nós, os Psicopatas

[...] Enfim, um verdadeiro manual de estudos avançados em Criminologia, um romance delicioso sobre as andanças do “Psicopatismo” e uma obra literária do mais fino gosto, tal é o rigor da escrita e do estilo, tão bem alicerçada na constante riqueza referencial, de uma miríade de autores maiores da “Coisa Criminosa” e não só.
Tudo isto pela mão do Professor Barra da Costa. Um verdadeiro Mestre (nosso, português e tudo) da Investigação e Ensino das Ciências Forenses e Criminais. [...]

Manuel Domingos - in prefácio, p. 14.

P.V.P.: 16,00 €
Comprar

terça-feira, outubro 15, 2013

Da Bola à Toga

"Na década de 50/60, era muito difícil um rapaz adquirir uma bola para jogar futebol, mesmo que fosse uma bola de má qualidade. Pura e simplesmente não havia bolas para jogar. Só na cidade (como então se dizia ao referir Ponta Delgada) é que havia bolas e a um preço proibitivo para as magras bolsas dos nossos pais, na sua maioria camponeses pobres e sem dinheiro. De forma que tínhamos que puxar pela imaginação para conseguir jogar futebol. Às vezes, fazíamos bolas com papelão amarradas com barbante, outras vezes pegávamos em trapos metidos dentro de uma meia velha, e, quando se matava o porco, até a bexiga de porco servia de bola de futebol. Nesse tempo, nos Ginetes, quase todos andavam descalços, principalmente os homens, de modo que a sola do pé com o tempo ficava dura como pedra e servia de sola de sapato. [...]" 
In Memória I.
P.V.P.: 12,00 €